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Evolução Histórica de Morro de São Paulo
:: O Descobrimento – De 1531 a 1942 ::

Segundo os arquivos da época a primeira pessoa a desembarcar em Morro de São Paulo foi um explorador português, chamado Martim Afonso de Souza, em 1531.

Na ocasião Martin Afonso, estava acompanhado de seu irmão Pero Lopez.

Embora isto esteja publicado na grande parte dos livros de História, existem teorias de que eles não foram os primeiros europeus a pisarem nos solos de Tinharé.

O antropólogo e escritor, Antonio Risério, em seu livro Tinharé–História e Cultura no litoral Sul da Bahia (BYI Projetos Culturais LTDA/2003), aborda a imediatez dos irmãos em reconhecerem o lugar e a facilidade em nomeá-lo.

Historia
Descobrimento

O que leva a crer que antes mesmo da passagem dos portugueses, alguns navios estrangeiros podem ter circulado por estas terras. O nome dado por Martim Afonso de Souza a ilha foi “Itanharéa”, sendo mais tarde chamada apenas de Tinharé, cujo significado de acordo com a língua índigena tupiniquim quer dizer “o que se adianta na água”.

Antonio Risério, em seu livro, fala minuciosamente da importância e passagem do povo indígena pelo litoral alto sul baiano. Impossível falar da história de Tinharé, sem citar os aimorés, conhecidos também por “botocudos” (por usarem botoques labiais e auriculares feitos de madeira) e os “gueréns”. Este grupo indígena não eram índios tupis. Pertenciam ao tronco linguístico “macro-jê”. Entre seus costumes estavam a ausência de aldeias e o fato de dormirem no chão sobre folhas. Sobreviviam da caça e da pesca. A colonização do litoral baiano teve início a partir das Capitânias Hereditárias, que se tratavam de imensas extensões de terra doadas por D. João III, rei de Portugal na época, a representantes com poder aquisitivo alto da iniciativa privada.

Em 1534, o território baiano foi dividido em três capitânias, sendo uma dessas a Capitânia de Ilhéus, que abrange a Costa do Dendê, onde fica o arquipélago de Tinharé.

Morro de São Paulo começa a ser citado historicamente no ano de 1535, quando o tenente Francisco Romero, partiu de Lisboa para a Costa do Brasil, ancorando seus navios e desembarcando na Ilha de Tinharé. Aportou na ilha juntamente com alguns barcos e colonos visando estabelecer ali a sede da Capitania. Assim surgiu a primeira povoação européia da Capitânia de Ilheús, uma das primeiras do atual Estado da Bahia e uma das mais antigas de todo o Brasil. Francisco Romero mudou os planos de tornar Morro de São Paulo a sede da Capitania quando percebeu que as terras de Tinharé não eram propícias ao cultivo da cana de açúcar.  Francisco Romero rumou a outros destinos e fundou a Vila de São Jorge dos Ilhéus.
Capitanias

Mesmo não tendo sida escolhida como sede da Capitânia, Morro de São Paulo foi a partir de 1535 efetivamente colonizado e sua denominação deve-se pelo fato do desembarque de Francisco Romero com sua frota ter ocorrido justamente no dia de São Paulo, dia 25 de janeiro, data segundo o calendário da Igreja Católica correspondente a conversão de São Paulo. Já a denominação “morro” é explicada pela geografia acidentada da região. Nesta época, estas localidades formavam a Capitânia de Ilhéus e auxiliavam com homens e produtos alimentícios a reação baiana às invasões. Foi dentro deste contexto que surgiu a idéia das autoridades coloniais em construírem uma fortaleza nesta região com o propósito de defender a capital de ataques estrangeiros, então, o Governador Diogo Luis de Oliveira deu início à construção da Fortaleza de Tapirandu, em Morro de São Paulo, em 1630.

Anos mais tarde, de acordo com registros, Morro de São Paulo abrigava uma guarnição com 51 peças de artilharia, 183 homens e uma muralha de quase mil metros de extensão. Em 1730, a Fortaleza foi ampliada por D. Vasco Fernades César de Menezes, conhecido como Conde de Sabugosa, com o objetivo de tornar a ilha posto fiscal e militar. No início do século 17, o capitão Lucas Saraiva da Fonseca fixou residência em Morro de São Paulo e ao lado ergueu uma capela, pedindo proteção a Nossa Senhora da Luz.

Descobrimento
Registros apontam que neste período havia poucas casas que ficavam situadas junto a Praça Aureliano Lima e na rua que levava a praia. As poucas moradias existentes nesta rua eram pertencentes aos nativos e aos soldados da Fortaleza. 
 
Em Cairu, Boipeba e Morro de São Paulo começaram a surgir os conventos, casas, sobrados praças e igrejas. Após a fase das invasões holandesas, os aimorés ou botocudos voltam a atacar na região e agora chamados de “gueréns”, denominação que estes índios tinham nas terras de Porto Seguro. Os gueréns causaram medo e travaram inúmeros combates durante décadas na Capitânia de Ilhéus e consequentemente converteram as vilas de Cairu e Boipeba em pobreza. Neste período entraram em cena a mando das autoridades coloniais, os bandeirantes paulistas. João Amaro, um destes bandeirantes, foi destinado para Cairu em 1671 e até 1673 esteve na Vila e conseguiu apaziguar e por fim as intermináveis lutas dos gueréns.

Após o período de batalhas e de ser considerado como zona franca e ponto de passagem de aventureiros e contrabadistas, Morro de São Paulo passou a produzir farinha de mandioca. No século 17 muitos navios que vinham de Portugal e da Angola costumavam fechar negociações clandestinas antes de entrar na costa da Baía de Todos os Santos. As vilas do litoral sul passaram a ser as fornecedoras para Salvador e para as vilas do Recôncavo, inclusive, o antropólogo Antonio Risério, faz uma citação em seu “Tinharé–História e Cultura no litoral Sul da Bahia”-Capítulo 14- Pág.127, que define muito bem a situação dos povos do litoral sul nesta época: “O morador de Ilhéus, Cairu, Camamu ou de Boipeba é agora, economicamente, uma espécie de índio do morador da Bahia de Todos os Santos e terras circunsvizinhas....”

Por volta de 1670,  o governador Afonso Furtado proibiu a construção de engenhos e as plantações de canaviais nas vilas do litoral sul, visando que todas as forças de trabalho fossem concentradas no cultivo da mandioca. Somente um engenho ficou existindo, por tratar-se de ser muito antigo e de propriedade de Antônio de Couros, em Cairu. Posteriormente, surgiu a época da extração da madeira e as matas do alto-sul da Bahia tiveram suas árvores tombadas para a construção de navios e para reparo das armadas da Baía de Todos os Santos. As praias do litoral do sul da Bahia foram recebendo os europeus, mais tarde os negros, cobrindo-se de novas espécimes vegetais, conhecendo novos bichos e novos estilos arquitetônicos.

Apesar de não ser a região que tenha concentrado o maior número de escravos, estas vilas tiveram a maior incidência de formação de quilombos, de acordo com Stuart Schwarz, que afirma em seu livro “Escravos, Roceiros e Rebeldes”, isto se explica pelo fato de que estas vilas se encontravam enfraquecidas e não tinham como bloquear a entrada de negros fugitivos. Cairu registra a presença de quilombos em sua história e apesar de ser considerado um local de difícil acesso, não impediu que os quilombos de se fixarem na região e permanecerem, até o final do século 17, deixando estas comunidades sob ameaça constante.

Indios
Segundo registros existiu uma denúncia em 1846 em relação à existência de uma irmandade negra, denominada de “Irmandade de São Benedito”, cuja sede seria na igreja franciscana local. Nos tempos que nem gueréns, nem os quilombos amedrontavam a região, as vilas começavam a retomar a rotina de sobrevivência. Citamos mais uma vez Antonio Risério, que aponta que o Censo de 1780 revela que naquela época existiam em Cairú quatro mil habitantes e em Boipeba, 3.300.

Pode-se dizer que no século 18 Morro de São Paulo resumia-se territorialmente a uma única rua, que ligava a capela à praia. Com o surgimento da Fonte Grande, no ano de 1746 apareceu outra rua.

Embora o Brasil tenha ficado independente de Portugal em 1822, a Bahia somente conquistou sua independência no dia 02 de julho de 1823. Os portugueses recusaram-se a entregar a Bahia ás províncias nordestinas e a região amazônica e a partir dai travaram-se batalhas portuguesas e brasileiras até o desfecho desta história, que na Bahia terminou em 1823 com a retirada dos portugueses das terras e a incorporação do estado baiano ao estado Nacional.
Kilombos
Jesuitas & Dom Pedro II

A participação do litoral alto-sul, especificamente das vilas de Cairu, Boipeba e Morro São Paulo, foi importante nesta conquista principalmente no que diz respeito a Fortaleza de Tapirandu. Segundo anotações pessoais, o imperador D. Pedro II, visitou a ilha em 1859, juntamente com a Família Real. Nesta ocasião, de acordo com seus apontamentos, Dom Pedro II relata que viviam na ilha cerca de 300 famílias. Existem documentos que revelam um suposto banho do imperador na Fonte Grande, em companhia da Marquesa de Santos.

No final do século 20, o povoado de Morro de São Paulo perdeu sua importância estratégica e militar, transformando-se numa pacata vila de pescadores. A explosão dos cacaus na Bahia, registrada a partir da década de 1950, não atingiu as terras de Tinharé. Enquanto Ilhéus progredia e ganhava com as novidades urbanas, a Ilha de Tinharé registrava um panorama econômico paralisado com seu vilarejo de pescadores. Já neste período também, Morro de São Paulo oferecia segurança à navegação regional devido à presença do Farol e passa a sofrer com o medo ocasionado pela Segunda Guerra Mundial.

Tópicos relacionados: A memória viva de Morro

:: Agosto de 1942 -
Os reflexos da Segunda Guerra Mundial no povoado de Morro de São Paulo
::

Morro de São Paulo ressurgiu no cenário brasileiro no período da II Grande Guerra, entre 1941 a 1945. A guerra estourava na Europa, mas o vilarejo de Morro de São Paulo, situado à milhas de distância, sentiu as consequências de maneira muito próxima.

O povo sentiu-se acoado o tempo inteiro. Este distanciamento geográfico e ao mesmo tempo esta proximidade com a guerra: o medo, a angústia, é explicado em função da ausência de notícias, pois não havia meios de comunicação na comunidade e também pela dificuldade de deslocamento, pois o tempo da viagem até a cidade de Valença que era a mais próxima podia durar quatro horas em barco a vela, dependendo das condições do mar. O medo dos habitantes de Morro de São Paulo também é atribuído a uma leitura própria, de acordo com o historiador e mestre em História Social, Augusto César M. Moutinho.

Esta leitura na verdade se estabelece em função de elementos culturais já segmentados na comunidade, por exemplo, o medo que sentiram em 1942 não é algo novo na população. A concepção de medo atingiu uma forma reconhecida pela comunidade, ou seja, eles conhecem o medo desde os primeiros tempos da colonização, através das tentativas de invasões dos holandeses. “Este medo é rememorável o tempo inteiro e a comunidade faz coletivamente uma releitura”, explica Moutinho.

Repercussão da Segunda Guerra
Repercussão da Segunda Guerra

Também professor da Faculdade de Ciências Educacionais (FACE), Moutinho é autor do livro: “A Sombra da Guerra” (Salvador/Quarteto,2005). A idéia em escrever o livro surgiu primeiramente como forma de dissertação do Mestrado de História e depois sim o livro que foi publicado em 2004. Sua família é nativa da ilha e ele conta que sempre ficava conversando com os mais velhos, sentado nas escadarias da Igreja Nossa Senhora da Luz, enquanto pegavam uma brisa fresca. Em meio a tantos outros temas, um era referência imediata na memória dos nativos, a Segunda Guerra Mundial.  Estas conversas despertaram o interesse em falar sobre o assunto. A intensão do livro foi discutir as particularidades da comunidade.

A referência, argumenta o historiador, se dá por conta das grandes dificuldades da época, da alimentação e do medo. “Eles estavam praticamente isolados em termos geográficos e construíram uma noção de guerra extremamente particular e interessante”, ressalta. Nestas conversas com os antigos nativos, este conceito de medo sempre vinha à tona. E conforme Moutinho, é interessante falar também, talvez seja uma contradição, do saudossismo. E como a memória desobedece ao tempo e ao espaço, ele acredita que este saudossismo esteja relacionado as teias de solidariedade, aos bons tempos da ausência do capital, mas da liberdade de autônomia e da unidade familiar. De acordo com o livro e também alguns relatos de nativos que viveram nesta época, agosto de 1942 foi um período trágico mundialmente e particularmente para Morro de São Paulo, foram três dias de sufoco no litoral baiano.

Os moradores foram pegos de surpressa. A comunidade ficou abalada com os afundamentos dos navios brasileiros “Itagiba” e “Arará” que ocorreram aproximadamente 12 ou 15 milhas rumo leste da costa. “Foi terrível porque as pessoas chegaram muito machucadas, em baleeiras.

Alguns já mortos, recorda a senhora Elze Moutinho Wense, 77 anos, nativa. Ela reforça a teoria do medo, definindo este período como sendo o “tempo do medo”. “Qualquer coisa diferente que acontecesse a gente sentia medo. “Não podia deixar luz acessa nas casas à noite para evitar sinal de que havia gente”, conta. Existia um receio muito grande da inclusão de submarinos. Dona Zezé lembra do episódio de uma barcaça carrregada de bananas, que estava viajando rumo a Salvador e foi torpedeada. A carga foi toda roubada.

O naufrágio dos navios fez a comundiade sentir-se apreensiva, ansiosa e amedrontada. Os feridos passaram uma noite em Morro de São Paulo e depois foram levados no dia seguinte para a cidade de Valença, no prédio do Sindicato dos Trabalhadores da Indústria de Fiação e Tecelagem, onde existia a antiga Recreativa (construção arquitetônica em estilo neoclássico que serviu como primeiro banco de sangue do estado nos anos da Segunda Guerra Mundial). Houve uma espécie de vontade coletiva de prestar socorro às pessoas. A noite que pernoitaram em Morro de São Paulo, os sobreviventes da tragédia dormiram na antiga casa de seu Manuel Elisbão, situada na Praça da Amendoeira, na Vila, parte central da ilha.

Segundo algumas narrativas, na verdade não se sabe as dimensões disso, mas um carrasco alemão, destacado por Hitler para atacar esta parte do litoral da Bahia, tinha como técnica torpedear, submergir e atirar ainda nos naufrágos. Segundo alguns relatos isto era muito comum e acabou chegando naquele momento à comunidade de Morro de São Paulo.

Paralelo a este acontecimento dos torpeamentos e naufrágio dos navios, havia as medidas governamentais como o blecaute parcial e total do litoral. O medo povoa a noite, então, nesta parte do dia era muito complicada para os nativos, que tinham o hábito de pescar com fachos de luz (pedaços de pau com fogo na ponta que serve para iluminar a pesca noturna). Isto já não era mais possível, fazendo com que a capacidade de sustentabilidade da comunidade diminuísse notoriamente. Os alimentos começaram a ser racionados. “Quando íamos para Valença fazer feira trazíamos poucos alimentos”, recorda Dona Zezé. 

Seu Valencio Inato Manuel do Nascimento, conhecido como Dandão, 85 anos também outro antigo morador e pescador da ilha, guardou na memória os tempos de pavor vividos em 1942.  Ele recorda que quando pescava na ilha do Caitá, na Terecira Praia, ouvia os estouros vindos de perto da costa.

Historia
História

Para concluir o episódio das consequências da Segunda Guerra em Morro de São Paulo, o historiador Augusto César M. Moutinho aponta ainda outra questão: o mito reconstituído. O homem do litoral sempre conheceu o piatatá, que na perspectiva do pescador era uma bola de fogo que percorre o horizonte e mata todo mundo. Dona Mariinha, outra antiga nativa, já falecida, também foi ouvida por Moutinho na elaboração de seu livro.

Em alguns de seus relatos quando falava especificamente dos alemães, Dona Mariinha misturava os elementos, dizendo que os submarinos lançavam fachos de luz no céu e clareavam tudo. Inconscientemente, a antiga moradora referia-se a figura do piatatá.

Outro exemplo e segundo o autor o mais impressionante de todos, está no relato desta mesma senhora ao falar do tempo da colonização, uma releitura de um mito criada no tempo da invasão holandesa, em 1624. Conta à lenda que o nome dado a uma parte da Fortaleza de Tapirandu, onde fica o Forte de Santo Antônio, é atribuído ao fato de que na época da guerra, tentaram invadir  Morro de São Paulo e Santo Antônio colocou várias velas acessas no curso da Fortaleza.

Isto assustou e espantou os invasores. Ela dizia que seus antepassados contaram esta história a ela. Estes elementos estão presos na memória do nativo e são agregados a cultura local. Quando se discute o contexto das invasões holandesas ou da Segunda Guerra Mundial, se discute também estes elementos. Conforme Moutinho, estes elementos dizem respeito ao cotidiano das pessoas. “Não é abstração, se enxerga isto na prática e é isto que torna a História mais saborosa e agradável, não lidando somente com datas e sim com fatos e pessoas”.

:: O surgimento do Turismo ::

E a história prossegue. Quatro séculos depois da colonização lusitana, Morro de São Paulo começa a dar os primeiros indícios de que estava nascendo uma nova era. A era do turismo.

A partir de 1960 a ilha passa a apresentar os primeiros sinais do progresso, recebendo as visitas de pessoas que moravam em cidades vizinhas. Eram os chamados veranistas, famílias de classe média alta vindas das cidades baianas de Gandu, Valença, Cruz das Almas e da capital, Salvador. Alguns eram fazendeiros de cacau que construíram suas casas para passar as férias, geralmente os três meses do verão, e principalmente localizadas na Primeira Praia e na Vila. Neste tempo, os veranistas costumavam trazer mantimentos para trocar com os moradores.

“Havia uma integração muito forte, uma troca carinhosa”, enfatiza a ex-diretora de Cultura e Turismo da extinta Secretaria Especial de Morro de São Paulo, Lena Wagner. Ela veraneava em Morro nesta época e lembra da solidariedade e integração que havia na comunidade. 

Fonte: Restaurante Tia Dadai - Arq. pessoal: Rest. Tia Dadai

Surgimento do Turismo na Ilha

Surgimento do Turismo na Ilha

Nesta época para viajar até a cidade de Valença se levava no mínimo três horas. O motivo é que o meio de transporte utilizado era o barco a vela. A pesca era abundante. Na vila havia somente poucas casas e a Igreja Nossa Senhora da Luz. Morro de São Paulo era um vilarejo e seus habitantes tinham uma vida simples, sem energia elétrica e os privilégios do progresso.

Em meados de 1970, Morro ficou conhecido mundialmente por receber a visita de comunidades hippies, que acampavam na beira da praia e arredores da Vila. Derepente quando os mochileiros descobrem as belezas naturais e vão chegando com costumes adversos, os veranistas, alguns mais conservadores, começam a se afastar.

Lena Wagner lembra que alguns veranistas recomendavam que os moradores não deveriam conversar com os hippies. “Marginalizavam a questão”, ressalta Lena. Mas havia muita curiosidade por parte dos que viviam aqui e os nativos se introssavam com estas pessoas com hábitos, digamos, um pouco diferentes. Alguns veranistas se afastaram da ilha neste período, foram para outros lugares. Alguns fecharam suas casas e até hoje as mantém, servindo ainda como casa de veraneio.

Fonte: Restaurante Tia Dadai - Arq. pessoal: Rest. Tia Dadai

Em 1980, segundo alguns nativos, havia menos de 10 casas de veranistas situadas na beira da Primeira Praia. A principal atividade econômica do povoado ainda era a pesca e já começava a receber um aliado, o turismo.

Nestes tempos não havia luz elétrica, e sim um gerador a diesel que permanecia ligado somente até às 22 horas. Nas demais praias, hoje chamadas de Segunda, Terceira e Quarta, havia apenas grandes fazendas, onde plantava-se coco, piaçava e dendê. Saiba mais sobre a história e desenvovlimento destas praias no link Praias A energia elétrica surgiu em 1986 e o telefone em 1988.

Segundo reportagens de jornais da época, a chegada da energia elétrica a Morro de São Paulo é atribuída a um estrangeiro. Um russo chamado Aleixo Belov, navegador, foi o responsável pela implantação da luz elétrica, através da construção de um cabo submarino de 870 metros.

Durante a década de 80, o turismo se intensifica e Morro de São Paulo recebe uma grande quantidade de turistas e investidores. A partir daí, os habitantes veêm o pequeno povoado se transformar turistícamente e suas vidas mudam. Nesta época, deram-se o aparecimento dos grandes investimentos como hotéis, pousadas, restaurantes e outros estabelecimentos comerciais.

Fonte: prainha antiga - arquivo pesoal Juliana Goés

Juliana Goés - veranistas no morro

Na década de 90 o turismo em Morro de São Paulo é considerado atividade lucrativa, fazendo com que surja o turismo de massa e o aparecimento de novos moradores, inclusive estrangeiros, que vêm para Morro de São Paulo à procura de trabalho e dinheiro. Houve uma proliferação dos meios de hospedagem, foram criadas as pistas de pouso, surge a especulação imobiliária e indisciplinamente Morro de São Paulo cresceu. E aí vem a pior parte desta história: foram surgindo os problemas ambientais.

Morro de São Paulo recebeu o impacto do turismo diretamente em suas belezas naturais, ocasionados grande parte pela falta de cuidados da própria comunidade e pelo descassso e inexistência de uma política administrativa.

Em 1992 surgiu a primeira tentativa de preservação do meio ambiente: a criação da Área de Proteção Ambiental das Ilhas de Tinharé e Boipeba (APA), na ocasião da Conferência das Nações Unidas sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento, a ECO-92, no Rio de Janeiro. A criação da APA de Tinharé-Boipeba¸ abrange 433 km² e deu-se pela necessidade de proteção da vegetação (Mata Atlântica e Restinga), encontrada nestas áreas.

A APA compreende os distritos de Galeão e Gamboa, e as vilas de Morro de São Paulo, Garapuá, São Sebastião (também conhecida como Cova da Onça), Moreré e Canavieiras.

Fonte: Veranistas - arquivo pesoal Juliana Goés

O censo de 2007, realizado pelo IBGE, acusou um total de 3.863 moradores existentes em Morro de São Paulo, sendo que 975 pertencem a localidade do Zimbo. 

Hoje dos moradores, a maioria não são nativos. São oriundos de outras cidades da Bahia e também de outros estados do Brasil, como Minas Gerais, São Paulo, Rio de Janeiro e Rio Grande do Sul.

Conforme dados da Bahiatursa, órgão responsável pelo turismo na Bahia, a oferta hoteleira do Arquipélago de Tinharé em 2008 era de 6.558 leitos.

Morro de São Paulo é a localidade com maior número, 5.033 leitos. Boipeba está em segundo lugar, com 866 leitos e após seguem outros povoados como Gamboa com 279, Moreré com 157 e Garapuá com 116.

Fonte: arquivo pessoal

Antiga - Primeira Praia
O restante da ocupação está em Cairú e arredores.

Muitas pessoas chegaram, algumas foram embora. Outras se fixaram e formaram famílias. Mas todas deixaram alguma coisa que marcasse sua presença e fizeram aqui um pouquinho de sua história.

E essa história de todos é a memória viva de Morro de São Paulo e que você também está ajudando a construir.

Alguns episódios destas vidas narramos a seguir no link A Ilha e seu Povo. A trajetória dos que fizeram e viram Morro crescer e o transformarm neste grande pólo turístico que é hoje. 

Fonte: arquivo pessoal Leila Chaves Costa

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Última atualização:26 | 07 | 2017
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